Histórico

No século XVIII, o fim do ciclo da cana-de-açúcar e a descoberta das minas de ouro em Minas Gerais fizeram surgir a crença da existência de ouro em abundância no interior brasileiro e desencadeou uma verdadeira corrida para os sertões brasileiros. Dentro desse contexto do ciclo do ouro no Brasil, houve o crescimento da doação de sesmarias e o consequente surgimento de lugarejos e vilas. As sesmarias relativas ao território onde hoje se encontra Assaré foram doadas aos irmãos José Alves Feitosa e Lourenço Alves Feitosa, que já detinham também as sesmarias dos Sertões dos Inhamuns, uma das obrigações dos que recebiam as sesmarias era tornar as terras produtivas, porém, isso não aconteceu com tais terras enquanto estas estavam nas mãos dos irmãos Feitosa, porque eles usavam as terras da ribeira do Salgado para refugiarem-se da luta armada entre as famílias Feitosa e Monte de Icó, luta esta que quase dizimou a última. Devido ao conflito, os irmãos Feitosa perderam o direito à posse das terras e então, Alexandre da Silva Pereira adquiriu do Capitão João Alves Feitosa e sua mulher Maria Alves Feitosa através de permuta de umas terras herdadas de seu pai, Manoel da Silva Pereira, em São João do Príncipe, hoje Tauá, as sesmarias em 12 de dezembro de 1785, por escritura lavrada no lugar Boa Viagem, escrita pela mão do Frei Antônio Monte Alverne, com a permuta Alexandre ainda pagou mais 500.000,00 (quinhentos mil reis).

Ao estabelecer-se com sua família, Alexandre um homem de visão e empreendedorismo torna esse vasto campo em solo fértil apropriado à produção de algodão e a criação de gado e pelo fato da localização da sede ser o melhor caminho que ligaria as regiões do Cariri e Inhamuns, onde todo o escoamento da produção agrícola do sul do Ceará era armazenado e escoado a capital da província, tornou-se esse torrão um entreposto comercial, o que contribui para tornar logo um povoado. Visando promover o povoamento Alexandre da Silva Pereira, seguindo a tradição nordestina, muito embora sua origem é portuguesa, começa a estruturar a fazenda, construindo a casa na sede, que segundo historiadores ficava na rua de baixo (Rua Alexandre da Silva Pereira), que atualmente leva seu nome. É certo que Alexandre da Silva Pereira não precisou brigar com os povos indígenas, os verdadeiros donos da terra, pois os mesmos já tinham abandonados sua região, se tem notícia que a última nação indígena dessa região foram os Karius, que foram dizimados na briga dos Feitosa do Inhamuns contra os Monte do Icó (eles usaram os índios Karius na briga entre as duas famílias, contribuindo pela sua dizimação).

Sabemos que no período colonial os povoamentos cresciam lentamente, porém em 1823 um fato marcou o crescimento de Assaré, que tinha somente algumas moradias em torno da capelinha, que fora erguida por Alexandre Pereira, o referido de fato, conhecido como a marcha do Caxias, que tinha a finalidade de sufocar os rebeldes do Piauí, o que transformou o povoado em um campo de concentração sob as ordens do comandante João da Silva Pereira, filho do nosso fundador. Após três meses de acampamento, Tristão Gonçalves nomeado General em Chefe transfere o acampamento na Várzea de Vaca, sabe-se que Tristão Gonçalves e João Pereira eram opositores, mas sob a intervenção do Diácono Antônio Pereira, parente de ambos, mesmo com a saída das tropas o povoado continuou sendo um importante entreposto comercial e importante centro de criação, somente inferior a Quixeramobim e Tauá.

Após oito anos, 1831, o povoado seria elevado a distrito de paz, entretanto com a revolução encabeçada por Pinto Madeira, irrompeu no Cariri correrias de liberais e corcundas, causando aos nossos habitantes maiores deslocações, onde imperavam roubos, assassinatos, um anarquismo generalizado. Somente em 1838, com o fim da revolução, passa à freguesia, no dia 1º de agosto, entretanto o local escolhido não foi o Assaré, mas em Santana do Brejo Grande (Santana do Cariri), um lugar despovoado, sem vias de comunicação, o contrário de Assaré que além de ser mais povoado oferecia melhores condições para a sede da freguesia, nessa época Alexandre era o octogenário.

Em 1842, Assaré era elevado a distrito de paz, sendo nomeado juiz o capitão Antônio Gonçalves de Alencar Tamiarana, no mesmo começa a construção da igreja matriz, lugar que existia uma antiga igrejinha.
No ano de 1844 foi construído o açude banguê, depois chamado de Nossa Senhora das Dores. Sob a lei provincial nº.520 de 04 de dezembro de 1850 é transferida a sede de freguesia de Santana do Brejo Grande para o Assaré, isso ocorreu em virtude do assassinato de um Padre nos arredores do, hoje, distrito de Aratama e em retaliação a este fato Assaré passa a freguesia, sob resolução provincial de nº. 1.152, de 19 de julho de 1865, o Assaré é desmembrado de Saboeiro, entretanto somente a nova vila fora instalada em 11 de janeiro de 1869.Em 1873 sob a lei nº. 1787, de 28 de dezembro, a comarca de Saboeiro é transferida para vila de Assaré, sendo seu primeiro juiz de Direito o Dr. Sousa Lima, que depois foi presidente da província do Piauí e que foi substituído pelo Dr. Francisco Garcia e em seguida pelo Dr. Manuel Cândido Machado. Em três de dezembro chegou o convite ao chefe dos liberais de Assaré o capitão Francisco Gomes de Oliveira Braga para comparecer urgente à capital para aderir a república o que resultou na sua volta em demissões e nomeações, além de adesões de lideranças ao movimento republicano. Na oportunidade ouve uma passeata, onde o povo assistiu com indiferença, fazendo parte delas somente os empregados do município e do estado.

Somente em 20 de dezembro de 1938 a vila passa à cidade pelo Decreto-Lei de nº. 448 de 20 de dezembro de 1938. No dia 11 de janeiro de 1969 teve a primeira sessão de inauguração da Câmara Municipal e consequentemente a instalação do Município de Assaré de fato e de direito, que teve como presidente da sessão o Presidente da Comarca o Padre Manoel Francisco de Araújo e como vereadores, que formavam o Conselho de Intendência: Jerônimo Pereira, José da Costa, Antônio Leite Leão e como suplentes: Antônio Paes Pereira, João Gonzaga e Francisco Sabino de Lima.